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Quarta-feira, 12 de Agosto 2026
Notícias/Crônica

O celular que chegou para aproximar, mas acabou afastando as pessoas

Entre notificações, telas e silêncios, fomos deixando de lado aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a presença, o diálogo e o encontro

O celular que chegou para aproximar, mas acabou afastando as pessoas
Thesco Duarte
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Entre notificações, telas e silêncios, fomos deixando de lado aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a presença, o diálogo e o encontro

Era apenas mais um café da manhã. Na mesa, o pão, o café quente, o suco e... o celular. Cada um com sua tela, seus aplicativos, suas mensagens e suas notificações. O café esfriava, mas ninguém percebia. Havia pessoas sentadas juntas, mas cada uma parecia estar em um lugar diferente.
O celular chegou prometendo aproximar quem estava distante. E, de fato, aproximou. Hoje podemos falar com alguém que está do outro lado do mundo em poucos segundos. Podemos ver o rosto de quem amamos, acompanhar notícias, estudar, trabalhar, registrar momentos e até participar de celebrações e transmissões religiosas. O problema nunca foi o celular. O problema começa quando ele deixa de ser ferramenta e passa a ocupar o lugar das pessoas.
No barzinho, em uma roda de amigos, quantas vezes encontramos cinco, seis ou até dez pessoas sentadas à mesma mesa, mas cada uma olhando para sua própria tela? A conversa, que antes era feita de histórias, risadas e lembranças, agora é interrompida pelo som de uma notificação. O amigo está ao lado, mas a atenção está longe.
No refeitório do trabalho, o almoço que poderia ser um momento de descanso e convivência também ganhou a companhia silenciosa das telas. Em vez de perguntar "Como foi seu dia?", muitas vezes preferimos deslizar o dedo pela tela. E assim, pouco a pouco, vamos trocando a conversa pela conexão virtual.
Dentro de casa, talvez esteja a maior de todas as perdas. Pais e filhos podem estar no mesmo ambiente, mas separados por pequenas telas luminosas. O filho quer conversar, o pai está ocupado com o celular. A mãe tenta chamar a atenção, mas uma mensagem parece mais urgente. E, quando percebemos, os filhos cresceram, os pais envelheceram e algumas conversas que poderiam ter acontecido simplesmente não aconteceram.
Até mesmo os momentos de fé não ficaram imunes. Na Santa Missa ou no culto, o celular muitas vezes está presente. Às vezes, para uma necessidade legítima; outras, apenas para conferir uma mensagem, uma rede social ou uma notificação. E é curioso pensar que conseguimos reservar uma hora para Deus, mas nem sempre conseguimos ficar uma hora sem olhar para a tela.
E as crianças? Quantas vezes o primeiro presente recebido já não é uma bola, uma bicicleta, um brinquedo ou um livro, mas um celular ou um tablet? Entrega-se a tela para que a criança se distraia, enquanto os adultos podem ficar mais à vontade. Sem perceber, porém, estamos ensinando que o silêncio da criança deve ser comprado com uma tela.

Como era bom antes do celular!

Havia o pião, o triângulo, a macaca, o 31, o carimbo, os sete pecados... Havia brincadeiras que não precisavam de bateria, internet, carregador ou senha. Bastavam algumas crianças, um espaço e muita vontade de brincar.
Naquelas brincadeiras havia disputa, mas também havia amizade. Havia risadas, regras, pequenas discussões e reconciliações. Havia crianças correndo, adultos conversando e vizinhos se conhecendo. A brincadeira aproximava.
Hoje temos uma tecnologia extraordinária nas mãos, mas, muitas vezes, não sabemos o que fazer quando estamos diante de alguém que amamos.
Não se trata de condenar o telefone, muito menos o celular. Devemos reconhecer o mérito daqueles que ajudaram a desenvolver tecnologias capazes de transformar a comunicação humana. O celular é útil. É instrumento de trabalho, estudo, informação, segurança, comunicação e até evangelização.
Mas nenhuma tecnologia deveria ocupar o espaço de uma boa conversa.
Nenhuma mensagem é mais importante do que olhar nos olhos de um filho que precisa falar. Nenhuma notificação deveria ser mais urgente do que ouvir um amigo que precisa desabafar. Nenhuma rede social deveria ser capaz de roubar de uma família o momento de sentar à mesa e conversar.
Talvez seja necessário, de vez em quando, colocar o celular sobre a mesa com a tela para baixo e levantar os olhos. Olhar para quem está ao nosso lado. Perguntar como foi o dia. Ouvir. Rir. Contar uma história. Abraçar. Conversar.
Porque o tempo passa, e aquilo que hoje parece apenas alguns minutos diante da tela pode se transformar amanhã em horas de uma vida que não volta.
O celular pode nos conectar com o mundo inteiro. Mas quem está ao nosso lado precisa de algo muito mais simples: a nossa presença.
E talvez o maior desafio da nossa geração não seja aprender a usar melhor a tecnologia, mas aprender novamente a viver sem permitir que ela viva por nós.

Crônica: Thesco Duarte
Arte: Thesco Duarte
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FONTE/CRÉDITOS: Thesco Duarte
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Publicado por:

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