Mais de dois séculos depois, o Brasil ainda enfrenta desafios para transformar liberdade, justiça e igualdade em conquistas para todos.
Há datas que pertencem ao calendário. E há datas que pertencem à alma de um povo.
O 7 de Setembro é uma delas.
Hoje, quando as cores verde e amarelo tomam as ruas, quando a bandeira brasileira tremula nas janelas e quando lembramos o célebre grito às margens do Ipiranga, somos convidados não apenas a olhar para o passado, mas também a perguntar que país estamos construindo no presente e que Brasil queremos entregar às próximas gerações.
Em 1822, o Brasil rompeu politicamente com Portugal. O processo de independência, porém, não aconteceu em um único instante: foi resultado de conflitos, decisões políticas e transformações que vinham se acumulando. O 7 de Setembro tornou-se o símbolo maior dessa ruptura.
Duzentos e quatro anos depois, o Brasil continua sendo uma obra inacabada.
A independência política foi conquistada. Mas será que somos plenamente independentes quando milhões de brasileiros ainda lutam por uma educação de qualidade, por atendimento digno na saúde, por segurança, emprego, moradia e oportunidades?
Talvez a verdadeira independência de uma nação não esteja apenas na capacidade de dizer “não” a uma potência estrangeira. Talvez esteja também na capacidade de cuidar do próprio povo.
E é justamente aí que o 7 de setembro de 2026 encontra o Brasil das urnas.
Estamos vivendo mais uma campanha eleitoral. O país está dividido por opiniões, convicções, paixões e, muitas vezes, por intolerâncias. De um lado e de outro, discursos procuram conquistar corações e votos. As redes sociais amplificam vozes, aceleram informações e também, algumas vezes, espalham desinformação.
A eleição deste ano será uma das decisões políticas mais importantes do ciclo que se aproxima. Em outubro, os brasileiros escolherão aqueles que ocuparão os principais cargos da República pelos próximos quatro anos.
E aqui mora uma grande responsabilidade.
Independência também é liberdade para escolher.
Liberdade para votar sem medo.
Liberdade para discordar sem odiar.
Liberdade para apoiar um candidato sem transformar o adversário em inimigo.
Liberdade para cobrar promessas.
Liberdade para mudar de opinião.
E, principalmente, liberdade para pensar.
O Brasil de hoje vive uma realidade política marcada pela forte polarização. A disputa presidencial concentra grande parte das atenções, enquanto questões envolvendo governo, Congresso, Supremo Tribunal Federal, economia e o próprio futuro das instituições ocupam o debate público. As manifestações deste 7 de setembro também ganharam dimensão política e eleitoral.
Mas uma democracia madura não pode transformar a bandeira brasileira em propriedade de nenhum partido.
A bandeira é de todos.
O verde não pertence à direita.
O amarelo não pertence à esquerda.
O azul não pertence ao centro.
O branco não pertence a candidato algum.
Essas cores pertencem ao povo brasileiro.
E talvez seja justamente essa a reflexão mais necessária neste 7 de setembro: o Brasil é maior do que qualquer presidente, partido ou eleição.
Governos passam. Presidentes passam. Parlamentares passam. Campanhas acabam. Os slogans desaparecem das ruas.
Mas o Brasil permanece.
Permanece o trabalhador que acorda cedo.
Permanece a mãe que luta para criar seus filhos.
Permanece o estudante que sonha com uma profissão.
Permanece o empresário que tenta manter seu negócio.
Permanece o agricultor que produz.
Permanece o servidor público.
Permanece o aposentado.
Permanece aquele brasileiro que, apesar das dificuldades, ainda acredita que amanhã pode ser melhor.
É para esse Brasil real que a política deveria olhar.
O eleitor não deveria ser tratado apenas como número de pesquisa. É cidadão. É o verdadeiro protagonista da democracia.
E se em 1822 o grito simbolizou uma ruptura com um poder externo, talvez o Brasil de 2026 precise de outro tipo de grito: um grito silencioso, consciente, feito diante da urna.
Um grito de responsabilidade.
Porque votar é também dizer que país queremos.
Queremos um Brasil onde as diferenças sejam respeitadas?
Onde as instituições sejam fortes?
Onde a corrupção seja combatida?
Onde exista responsabilidade fiscal sem abandono social?
Onde a economia produza oportunidades?
Onde educação e ciência sejam prioridades?
Onde segurança pública proteja o cidadão?
Onde a democracia seja maior que a disputa política?
As respostas serão dadas, em parte, nas urnas.
Mas nenhuma eleição resolverá sozinha os problemas brasileiros.
A independência de uma nação não termina quando se proclama a separação. Ela precisa ser construída todos os dias.
Construída quando respeitamos o próximo.
Quando cumprimos nossos deveres.
Quando cobramos nossos representantes.
Quando não aceitamos corrupção.
Quando não espalhamos uma mentira apenas porque ela favorece o nosso lado.
Quando defendemos a democracia mesmo quando o resultado não nos agrada.
Quando compreendemos que patriotismo não é apenas vestir verde e amarelo em setembro. Patriotismo também é cuidar da cidade, respeitar as leis, preservar o patrimônio público, trabalhar honestamente e participar da vida democrática.
Neste 7 de Setembro, talvez seja hora de olhar para a bandeira e fazer uma pergunta simples:
Independência para quê?
A resposta talvez esteja justamente no futuro.
Independência para construir um país que não dependa de salvadores.
Independência para que instituições funcionem.
Independência para que o cidadão tenha voz.
Independência para que a política seja instrumento de transformação, e não apenas uma guerra permanente entre brasileiros.
Independência para que o Brasil possa escolher seu próprio caminho sem abrir mão do diálogo com o mundo.
Em 1822, o Brasil começou uma nova página de sua história.
Em 2026, cabe a nós escrever mais uma.
E essa página não será escrita apenas pelos candidatos.
Será escrita por todos nós.
Que neste 7 de setembro possamos celebrar não somente a independência que conquistamos há mais de dois séculos, mas também a independência que ainda precisamos construir: a independência da consciência, da responsabilidade, da cidadania e do respeito à democracia.
Porque o Brasil não pertence aos políticos.
O Brasil pertence aos brasileiros.
E o futuro, como sempre, estará nas mãos daqueles que tiverem coragem de escolhê-lo.
Feliz 7 de setembro!
Viva o Brasil!
Crônica: Thesco Duarte
Arte: Thesco Duarte
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