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Tarifaço de 50% de Trump ameaça exportações brasileiras

Por Thesco Duarte em 16/07/2025 12:27:16

Foto: Foto: Valter Campanato/Agência Brasi (Vice-presidente e ministro do comércio, Alckmin coordenará o comitê interministerial que vai discutir soluções para o tarifaço)

Foto: Foto: Valter Campanato/Agência Brasi (Vice-presidente e ministro do comércio, Alckmin coordenará o comitê interministerial que vai discutir soluções para o tarifaço)

Um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com início previsto para 1º de agosto, acendeu o sinal de alerta no governo Lula, no empresariado nacional e nas entidades comerciais internacionais. A decisão ameaça bilhões em exportações e já coloca em risco setores estratégicos como o de petróleo, ferro e alimentos. Para evitar a ativação da Lei de Reciprocidade recém-assinada pelo presidente brasileiro — que permitiria sobretaxas semelhantes contra os EUA —, a aposta agora é num esforço diplomático urgente para evitar uma guerra comercial entre os dois países. 

Tarifaço de Trump: Brasil na mira e o risco de um abalo econômico

A partir de 1º de agosto, produtos brasileiros que entrarem nos Estados Unidos poderão sofrer uma tarifa de importação de 50%, conforme anunciado por Donald Trump em seu chamado “Dia da Libertação Econômica”. A justificativa é fortalecer a indústria nacional americana e conter o avanço de potências emergentes — uma medida que, na prática, representa um novo capítulo de confronto com o sistema global de comércio livre.

O Brasil, que inicialmente havia sido listado entre os países com menor tarifa (10%), viu seu status mudar drasticamente. Agora, com a nova taxa de 50% aplicada a setores estratégicos, como petróleo, ferro, carne, café e celulose, a balança comercial entre os países pode ser profundamente abalada. Empresas exportadoras brasileiras projetam prejuízos bilionários e já estudam redirecionar suas operações para outros mercados.

Segundo avaliação da U.S. Chamber of Commerce e da Amcham Brasil, o tarifaço representa não apenas um retrocesso comercial, mas um risco concreto para o setor empresarial dos dois países. As entidades alertam que a medida afeta diretamente mais de 6.500 pequenas empresas americanas que dependem de produtos brasileiros, além das 3.900 empresas dos EUA com investimentos no Brasil. O comércio entre os países gira em torno de US$ 60 bilhões anuais.

Diplomacia ou confronto: qual o caminho a seguir?

No Brasil, o presidente Lula sancionou recentemente a Lei de Reciprocidade Comercial, que autoriza o governo a adotar medidas equivalentes contra países que impuserem sanções ou barreiras comerciais unilaterais. A lei ainda não foi colocada em prática, mas sua existência exerce pressão sobre o governo norte-americano para rever sua posição.

Apesar do poder de resposta, o governo brasileiro aposta na diplomacia e em um canal direto com a Casa Branca para buscar um entendimento que preserve os interesses econômicos e evite o acirramento de tensões. O Itamaraty e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços já articulam encontros bilaterais e reforçam que “o diálogo deve prevalecer sobre o confronto”.

O que há por trás do tarifaço

A ofensiva de Trump não é apenas econômica — ela tem uma raiz geopolítica. A medida vem num momento de fragilidade da economia americana, de perda de influência global e de avanço da China como potência industrial e tecnológica. Trata-se, segundo analistas, de uma tentativa de conter o avanço de países emergentes, como os membros do BRICS, entre eles o Brasil, que hoje lideram o crescimento global.

Especialistas em relações internacionais apontam que o tarifaço também atende à base política e eleitoral de Trump, reforçando a imagem de um presidente “duro” contra adversários econômicos e defensor dos empregos americanos. No entanto, ao mirar até aliados históricos, como o Brasil, os EUA colocam em risco décadas de integração econômica construída após a Segunda Guerra Mundial.

Reações e próximos passos

A expectativa é que nas próximas semanas haja reuniões entre representantes comerciais dos dois países e que se busque uma solução consensual antes de 1º de agosto. Por enquanto, os setores afetados seguem em alerta, e as entidades empresariais continuam pressionando por um acordo. O temor é que, sem diálogo, o embate comercial entre Brasil e EUA escale e provoque uma onda de instabilidade no cenário internacional, atingindo toda a América Latina.

Matéria: Thesco Duarte 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasi

Fonte: G1


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