Sábado, 07 de Marco de 2026
Sábado, 07 de Marco de 2026
Arte: Thesco Duarte
Campanha nacional reforça a importância da prevenção ao suicídio e destaca o papel de cada pessoa na conscientização
O mês de setembro marca uma das maiores mobilizações em saúde pública do Brasil e do mundo: o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Criada em 2013 pelo psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e consolidada no país a partir de 2014 em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a iniciativa se tornou referência internacional. Com ações em todo o território nacional, a campanha busca romper o silêncio em torno do tema, combater o estigma que envolve os transtornos mentais e incentivar quem sofre a pedir ajuda. Em 2025, o lema se mantém atual e necessário: “Se precisar, peça ajuda!”.
Um movimento que salva vidas
O Setembro Amarelo® se estabeleceu como a maior campanha antiestigma do mundo, levando informações de qualidade e criando pontes entre a sociedade e os serviços de saúde mental. Embora o dia 10 de setembro seja oficialmente reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, as ações se estendem ao longo de todo o mês — e, cada vez mais, durante o ano inteiro.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. Estima-se que, somando os casos subnotificados, esse número ultrapasse 1 milhão. No Brasil, a realidade também preocupa: são cerca de 14 mil mortes anuais, o que representa uma média de 38 suicídios por dia.
O impacto nas Américas
Enquanto o mundo registra uma queda nos índices de suicídio, os países das Américas seguem em sentido contrário, com aumento preocupante. Pesquisas mostram que praticamente 100% dos casos estão ligados a transtornos mentais, a maioria sem diagnóstico ou tratamento adequado. Isso significa que muitas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse acesso ao acompanhamento médico e psicológico.
O que cada um pode fazer
O suicídio ainda é um tema cercado por tabus, mas falar sobre ele é essencial para salvar vidas. Pessoas em sofrimento apresentam pensamentos restritivos e dificuldade de enxergar outras saídas para seus problemas. Nesse contexto, familiares, amigos e colegas podem desempenhar papel fundamental: ouvir sem julgamentos, demonstrar empatia, oferecer apoio e encaminhar para atendimento médico especializado.
A escuta ativa e o acolhimento são passos importantes, mas somente o tratamento com profissionais de saúde, especialmente psiquiatras e psicólogos, garante o suporte adequado para que a pessoa em crise possa encontrar alternativas à dor emocional.
Dados que alertam
De acordo com a OMS, o suicídio mata mais do que HIV, malária, câncer de mama, guerras ou homicídios. Entre jovens de 15 a 29 anos, é a quarta principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam aumento expressivo entre adolescentes: entre 2016 e 2021, as taxas de mortalidade cresceram 49,3% entre jovens de 15 a 19 anos e 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos. As diferenças de gênero também chamam atenção: a taxa é de 12,6 mortes a cada 100 mil homens, contra 5,4 por 100 mil mulheres.
Uma responsabilidade coletiva
Atualmente, apenas 38 países contam com estratégias nacionais de prevenção ao suicídio. O Brasil, com o Setembro Amarelo, se coloca como protagonista no esforço global, mas ainda há muito a avançar. A campanha reforça que a vida é sempre a melhor escolha, e que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem.
Participe!
Todos podem contribuir com a campanha. Seja compartilhando informações confiáveis, usando os materiais disponibilizados pela ABP, participando de eventos de conscientização ou simplesmente estando disponível para ouvir alguém em sofrimento, cada atitude faz diferença.
O Setembro Amarelo® 2025 é um chamado à ação: vamos falar sobre saúde mental, apoiar quem precisa e trabalhar juntos para salvar vidas.
📍 Matéria: Thesco Duarte
🎨 Arte: Thesco Duarte
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