Sábado, 07 de Marco de 2026
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Foto: Agência Brasil/Reprodução
Com média trienal abaixo de 2,5% da população em risco de subnutrição, país deixa lista da FAO após priorizar políticas sociais, geração de renda e segurança alimentar
Após três anos figurando novamente no Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil comemora em 2025 sua saída oficial da lista, graças a um esforço concentrado do governo federal em políticas públicas voltadas à redução da pobreza e garantia de acesso à alimentação. O dado, divulgado nesta semana pela FAO, leva em consideração a média trienal de 2022 a 2024, na qual o país registrou menos de 2,5% da população em situação de subnutrição — limite máximo estabelecido pelo organismo internacional para que uma nação esteja fora do Mapa.
Essa conquista tem forte peso simbólico e político. O Brasil havia deixado o Mapa da Fome em 2014, mas voltou a figurar entre os países com alto índice de insegurança alimentar no período de 2019 a 2021. Tirar o país novamente dessa condição foi uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, diante da nova realidade, celebrou o resultado como um passo decisivo no combate à desigualdade alimentar.
“O Brasil deixou o Mapa da Fome porque fez escolhas. Escolhas políticas, econômicas e sociais que colocaram o povo em primeiro lugar”, afirmou o presidente. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome destacou que a saída reflete o fortalecimento de ações como o apoio à agricultura familiar, a ampliação da alimentação escolar, programas de transferência de renda e políticas voltadas à geração de emprego e renda.
O que é o Mapa da Fome?
O Mapa da Fome é um indicador global elaborado pela FAO para monitorar países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação crônica — ou seja, não consome calorias suficientes para uma vida saudável. O cálculo considera três fatores principais: a quantidade de alimentos disponíveis no país, o consumo da população ajustado à renda, e a necessidade calórica média. Esses dados são divulgados em médias móveis de três anos, para evitar distorções causadas por eventos sazonais ou conjunturais.
No caso do Brasil, a média referente aos anos de 2022, 2023 e 2024 ficou abaixo da linha crítica de 2,5%. Em comparação, há 20 anos o país registrava 5,7% da população em situação de subnutrição. A taxa atual coloca o Brasil em posição mais confortável que a média latino-americana, que é de 5,1%, e muito à frente da média mundial, de 8,2%.
A face da insegurança alimentar
Apesar do avanço, a insegurança alimentar ainda é uma realidade para parte significativa da população brasileira. A prevalência de insegurança alimentar grave — situação em que famílias convivem com incertezas diárias sobre a próxima refeição — ainda atinge 3,4% da população. Já a insegurança alimentar moderada, que inclui restrições alimentares pontuais, alcança 13,5% dos brasileiros.
Foto: Internet
Segundo a FAO, o número de pessoas que efetivamente passaram fome caiu de 4,2% da população no triênio encerrado em 2022 para menos de 2,5% no período mais recente. Essa melhoria expressiva reflete o impacto de medidas como a reestruturação do Bolsa Família, a valorização do salário mínimo, a retomada de políticas de segurança alimentar e nutricional, e o investimento em programas como o Brasil Sem Fome.
Seis milhões saíram da pobreza extrema
Dados complementares da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que, em apenas dois anos, seis milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza extrema no país. Esse dado reforça o efeito positivo das políticas sociais sobre o acesso à alimentação e a melhoria das condições de vida da população mais vulnerável.
Um compromisso com a dignidade
A saída do Mapa da Fome é mais do que uma conquista estatística. Representa a reconstrução de uma política pública comprometida com a dignidade humana e o direito à alimentação. Para o governo federal, é também a reafirmação de que o combate à fome exige prioridade, continuidade e articulação entre diferentes esferas e setores da sociedade.
Embora ainda haja desafios — como a redução da insegurança alimentar moderada e a eliminação da fome residual —, o Brasil mostra que é possível reverter retrocessos e retomar o caminho do desenvolvimento com inclusão social.
“Sair do Mapa da Fome é uma vitória do povo brasileiro, que resistiu, lutou e agora colhe os frutos de uma política pública que coloca a vida em primeiro lugar”, conclui o Ministério do Desenvolvimento Social.
Matéria: Thesco Duarte
Fotos: Internet / Agência Brasil/Reprodução
Fonte: O Globo
Fonte: Relatório de Segurança Alimentar e Nutricional da FAO 2025 | Ministério do Desenvolvimento Social | FGV Social
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