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Após mais de um ano de altas, preço do café começa a cair: alívio no bolso dos brasileiros

Por Thesco Duarte em 20/07/2025 10:29:15

Foto: Internet

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Depois de 16 meses seguidos de aumento, valor do café em pó registra primeira queda, segundo indicador da Fipe; consumidores comemoram, mas especialistas alertam para instabilidade do mercado.

Um dos itens mais essenciais da mesa do brasileiro — e também um dos que mais pesou no bolso nos últimos tempos — começa, finalmente, a dar sinais de alívio. Após um longo período de aumentos sucessivos, o preço do café em pó teve uma leve queda de 0,18% no período entre 16 de junho e 15 de julho, segundo o último indicador de inflação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Essa é a primeira retração em mais de um ano e quatro meses, reacendendo a esperança de consumidores que viram o valor do produto praticamente dobrar em algumas regiões do país.

O café, considerado um símbolo cultural e um hábito diário entre os brasileiros, esteve entre os vilões da inflação nos últimos meses. O produto acumulou uma alta de 86,53% nos últimos doze meses, segundo levantamento da Fipe. Em cidades como Fortaleza, por exemplo, o preço médio de um pacote de 300 gramas ultrapassou os R$ 20, assustando os consumidores e afetando diretamente o orçamento das famílias.

De acordo com especialistas, o aumento no valor do café tem causas multifatoriais. Uma das principais razões está na alta demanda internacional. O Brasil é o maior exportador mundial do grão, e o crescimento da procura externa, aliado à valorização do dólar frente ao real, torna as exportações mais atrativas para os produtores. Isso, por sua vez, reduz a oferta no mercado interno e pressiona os preços para cima.

Além disso, questões climáticas também afetaram a produção nos últimos anos, principalmente em regiões produtoras de Minas Gerais e São Paulo. Geadas, secas e instabilidades climáticas impactaram diretamente na colheita, diminuindo a oferta e contribuindo para a escalada de preços.

Sinal de reversão ou oscilação momentânea?

Apesar da queda registrada no último período analisado, analistas econômicos recomendam cautela. “Uma queda de 0,18% é simbólica, mas ainda não representa uma tendência consolidada. O mercado de café é altamente volátil e depende de fatores climáticos, cambiais e logísticos. Ainda pode haver oscilações nos próximos meses”, explica Ana Paula Silva, economista e pesquisadora de mercado agrícola.

Ainda assim, para o consumidor comum, qualquer sinal de estabilização já é motivo para respirar aliviado. Dona Maria das Graças, de 58 anos, moradora de Fortaleza, relata ter reduzido o consumo da bebida devido ao preço elevado. “Antes a gente comprava dois ou três pacotes por mês, agora é só um e olhe lá. Tomara que volte a ficar mais acessível”, conta.

Café no cotidiano e no comércio

Para o pequeno comércio e cafeterias, o impacto também foi sentido. Estabelecimentos precisaram reajustar preços ou reduzir a qualidade da matéria-prima para equilibrar os custos. A queda, ainda que modesta, já gera expectativa no setor. “Qualquer centavo de diferença faz muita diferença para nós. Se os preços continuarem baixando, será uma vitória para todo mundo”, diz Felipe Lima, proprietário de uma cafeteria na zona norte de São Paulo.

Perspectivas

A expectativa é que, com a aproximação da nova safra e a estabilização do clima em algumas regiões produtoras, o mercado possa respirar um pouco mais aliviado. Entretanto, fatores como o câmbio e a demanda internacional ainda serão determinantes no comportamento dos preços nos próximos meses.

Enquanto isso, consumidores seguem atentos às gôndolas dos supermercados e esperam que essa leve queda no preço do café em pó seja apenas o começo de uma retomada mais favorável ao seu bolso — e à sua xícara.


Matéria: Thesco Duarte 

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